Histórias originais de Puri Daniels

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Butterflies, capítulo seis

Olá, galerinha do mal!
Estou de volta com mais um capítulo de Butterflies!
Como fiquei muito feliz hoje, decidi postar mais um capítulo hahaha
Enjoy!



Capítulo 6 – Situações embaraçosas




Deve ter sido a partir desse momento que eu comecei a enlouquecer. Mas não tenho certeza. Deve ter sido quando os olhos de Noely se fixaram nos meus pela primeira vez.

Mas isso não importa. Naquela hora eu não sabia muito bem o que fazer. Eu estava muito ansiosa pelo dia seguinte, quando eu voltaria à escola. Era sexta feira, e aquilo me deixava com agonia.

Não a vi na entrada da escola, mas encontrei Telmah sentada em um banco conversando com sua irmã mais velha, Valkyria (ou Kikki pros mais íntimos). Kikki era da turma do Tee, e meio que rolava uma amizade entre os dois.

“Oi, Renata.” Kikki disse meio séria. Telmah se virou para mim. Vislumbrei algo em seu olhar: culpa, apreensão? Ela parecia preocupada e ansiosa. Percebi que ela não tinha culpa – e que não estava com raiva dela.

“Olá, meninas.”

“Olá.” Telmah disse em sua voz baixa e característica, sorrindo de um jeito meio culpado. “Você está melhor?”

“Estou sim. Vamos para a aula?” eu fui dizendo enquanto elas se levantavam e íamos em direção às salas de aula.

O sinal tocou; Telmah se despediu da irmã e foi para a sala comigo e com Mariana.

Aula da Anamaria. Ela prontamente pediu que escrevêssemos uma redação em inglês. Enquanto eu escrevia – e a sala em uma perfeita paz – tive uma visão de Noely saindo no tapa com Olívia. Me assustei e gritei, assustando a sala inteira também.

Passado isso, fui correndo falar com Olívia, para alertá-la – eu realmente não queria que aquilo acontecesse. Mas não fui rápida o suficiente; ela saiu assim que o sinal tocou.

Na aula de Português, a professora Lídia pediu que escrevêssemos um poema livre, então escrevi o seguinte:

Mesmo sabendo que em seu olhar gelado

Encontro consolo para a minha dor,

Meu travesseiro está encharcado

De amargas lágrimas de amor.

Sou ré de meu próprio destino,

Caminhando para o norte,

Encontrando no meu caminho

Terrores piores do que a morte.

Migrei para o sul,

Ignorando minha tenra idade,

E sinto falta do céu azul

Da minha doce e pacata cidade.


Mas não entreguei o poema. Acabei fazendo outro.

Depois da aula de Física, teve o intervalo, e enfim eu a vi.

Meu raio de sol. Meu grande milagre pessoal.

Ela parecia ter um imã para mim; assim que me viu, começou a caminhar na minha direção. Caminhar não – correr. Comecei a corar. Eu não sabia o que fazer.

“Telmah, por favor, me esconda!” eu sussurrei para ela, porém ela sacou o que estava acontecendo, e meneou a cabeça, sorrindo conspiratoriamente para Mariana.

Tarde demais. Senti uma sombra atrás de mim, e um aroma de bala de cereja pairou no ar levemente.

“Olá, Renata. Oi, Telmah.”

Noely estava parada do meu lado, me observando com curiosidade. Me virei para ela.

“Oi, Noely,” disse Telmah polidamente, ainda sorrindo. Mariana não sorriu, e recuou alguns passos.

“Você está bem?” perguntou Noely diretamente para mim. Senti meu rosto queimar, mas sustentei o olhar dela e respondi:

“Estou bem.”

“Onde você foi ontem? Você saiu correndo de mim. Me deixou preocupada. Por acaso fiz algo de errado?”

Tentei me comunicar com o olhar, mas corei mais ainda. “Claro, garota, que você fez algo de errado. Me beijou. Me deu esperanças. E agora tô caidinha por você, feito uma tola.”

Ela pareceu compreender. E do nada Tee apareceu, e me abraçou pela cintura, protetoramente.

“Oi, gente.” Ele disse. “Alguma coisa errada, moça?”

“Claro que não. Estou só conversando amigavelmente com sua irmãzinha,” Noely disse tão docemente que eu custei a acreditar que aquelas palavras tinham saído dela. “Você estava com o meu irmão, não estava?”

“Estava. Mas agora estou aqui. E acho que você não deveria estar aqui. Ele deve estar te procurando.”

“Tee!” eu sussurrei. Telmah deu uma risada baixa, e até Mariana sorriu também, porém Noely se aproximou mais um pouco de mim, e eu tentei me soltar do meu irmão, mas Tee me apertou com mais força. Pude ver Noely arreganhar os dentes para ele.

“Chega,” disse Telmah agarrando os pulsos da minha musa, apertando-os gentilmente com seus dedos longos e finos. “Venha comigo, Noely. Preciso falar com você.”

Elas saíram, e eu me virei para Tee, fuzilando-o com o olhar.

“Desculpe,” ele disse. “Não resisti.”

Apenas revirei os olhos.

Noely me encurralou novamente na quinta aula. Eu estava na Educação Física, e ela não perdeu a oportunidade.

“O que você quer?” perguntei um pouco irritada. Ela me encarou séria, fazendo beicinho, enquanto se aproximava.

“Porque saiu correndo ontem?” disparou ela sem rodeios.

“Consciência pesada,” admiti. Os olhos dela se estreitaram. Completei: “E você ainda coloca seu irmão Tom pra me vigiar.”

“Hein?” ela fez uma cara confusa, franzindo a testa. “Você deve estar doida mesmo, Renatinha. Ele vai lá porque ele quer.” Ela se aproximou mais, e sussurrou em meu ouvido: “Quando eu quero algo, investigo SOZINHA.”

Suspirei, resignada.

“Você está cabulando aula?”

“Não. O professor de Ensino Religioso passou mal e teve de ir embora. Isso significa que a aula ficou vaga, e isso significa também que temos tempo para conversar tudo aquilo que ainda não conversamos,” ela deu ênfase as últimas palavras. Ri um pouco disso.

“O que a Telmah disse a você?”

“Não é da sua conta,” ela disse abrindo seu sorriso luminoso. Ignorei a patada, e estendi instintivamente minha mão pra ela, que a segurou com muita força. Dei um gemido de dor, e algumas meninas se viraram para olhar.

“Vem comigo,” disse Noely séria. “Preciso te dizer uma coisa que eu não te disse.”

“Pois diga de uma vez,” resmunguei. “Já estou envelhecendo aqui de tanto esperar.”

“Eu segui você naquela hora,” ela disparou, falando um pouco rápido demais. “Você parecia um pouco transtornada. Você bebe?”

“Não! É claro que não.” Eu devo ter gritado naquela hora, porque ela disse “shhhh”, um pouco nervosa. “Sério, Noely, sua loucura pega, pra valer.”

“Não tente me distrair. Você estava transtornada mesmo,” ela repetiu, dando ênfase a última palavra, como fizera anteriormente. “Preciso ver você de novo.” Ela disse muito baixo dessa vez. “Eu viciei em ti, Renata.”

“Mas você já está me vendo,” eu disse, sorrindo ironicamente.

“Depois da escola,” ela se aproximou mais um pouco, falando tão baixo que eu tive de fazer leitura labial para entender. “Você sabe muito bem do que eu estou falando.”

“Sei, sim, você quer me agarrar em um lugar que não tenha testemunhas.”

Houve um breve silêncio, e eu fiquei pensando se tinha falado merda.

“Não é isso. Vem comigo.”

Ela me segurou pelo braço e me puxou até o banheiro feminino. Entrou comigo em um box e trancou a porta. Comecei a tremer de puro nervosismo.

“Vou te mostrar o que eu quero fazer com você quando estivermos sozinhas,” ela disse, me beijando em seguida.

Aquele segundo beijo foi melhor. Tinha uma nota impressionante de desejo. Meu corpo teve um estremecimento de prazer enquanto os lábios dela desciam pelo meu pescoço, dando beijinhos e leves mordidinhas. Eu a pressionei contra a parede do Box apertado, que era muito pequeno para cabermos juntas, e a beijei com a maior paixão que eu podia demonstrar a ela, a maior que alguém já tinha sentido.

Ela ofegou, mas retribuiu com a mesma intensidade. O sinal tocou, nos sobressaltando, mas não nos fez parar. Só depois de alguns minutos ela me soltou, abrindo meu sorriso cintilante favorito.

“É melhor eu ir embora,” eu disse, corando furiosamente. Decidi surpreendê-la. “Nos vemos quando?”

Os olhos dela se arregalaram por um segundo, mas ela conseguiu se controlar, dizendo:

“Domingo.”

“Tá.”



Ela saiu do banheiro, e eu me perguntei se não estava ficando tão cara de pau quanto ela.

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