Histórias originais de Puri Daniels

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Butterflies, capítulo cinco

Boa noite!
Aqui está mais um capítulo de Butterflies! Ninguém comemora porque ninguém lê :C
Depois de um bday muito divo no domingo, é hora de voltar à aiva, então to postando o último capítulo que revisei. Mas relaxem que jajá estou revisando mais outros para postá-los logo! <3
Um obrigada especial pra Mariana Perin, que está acompanhando a fic! Valeu pelos conselhos e pela pequena e fofíssima pressão, hahaha!
Enjoy!



Capítulo 5 – Gesto


Andei sem rumo, passeando ao redor da escola, ainda emburrada. Eu estava me sentindo enjoada. Sentei-me no banco do estacionamento, de cabeça baixa.

“Hey, guria. Me ajude a descer aqui.”

Noely estava empoleirada no muro da escola, balançando as pernas alegremente. Sua mão estava estendida. Ergui a cabeça e resmunguei:

“Desça você mesma.”

“Bah. Não seja chata.”

Como eu não me movi para ajudá-la, ela saltou, caindo agachada com um baque. Caminhou até mim, com um sorriso luminoso.

“Não sabia que você cabulava aula.”

“Normalmente não cabulo. Você que me fez cabular.”

Ela me encarou, surpresa, pendendo a cabeça para o lado.

“Por quê?”

Decidi desabafar, falar tudo que eu estava sentindo.

“Porque eu não suporto mais olhar pra você, Noely. Poxa, tive um dia muito ruim, ontem e hoje. É complicado para mim ouvir sua voz. Saia da minha frente, eu estou indo embora.”

Ela me segurou pelo braço.

“Oh, Renatinha. Não fique assim.” Sua mão livre deslizou pelo meu queixo, prendendo-o de uma forma que eu tinha de olhar em seus olhos. Ela sorriu, mas aquele sorriso não era de zombaria. Era complacente, carinhoso até. “Eu não sabia que te deixei com ciúmes.”

“Não, não deixou.” Fui dura. “Se essa foi a sua intenção, sinto muito, mas você falhou.”

Ela se aproximou mais. Comecei a ficar agitada.

“Não estava com ciúmes de mim?”

“Não.”

“Então estava com ciúmes da Telmah.”

“Não! Eu não estava com ciúmes de ninguém! Pare de distorcer as coisas, Noely. Seja menos infantil!”

Ela ergueu uma sobrancelha.

“Por acaso você acha que eu sou infantil?”

“Acho sim.”

Ela soltou uma gargalhada alta – uma risada estridente.

“Não tem graça!”

Ela ficou séria.

“Por que está tão zangada, linda?”

“Não estou zangada, só meio triste. Briguei com a minha mãe ontem.”

E então Noely fez algo totalmente inesperado: jogou os braços em volta do meu pescoço, abraçando-me. Seu cheiro era inebriante, me envolvendo e me fazendo cambalear.

Ficamos abraçadas por segundos, até ela me soltar. Eu devia estar corada. Eu estava totalmente sem graça. Eu na verdade estava me sentindo super satisfeita. Meu corpo queria mais.

Mesmo assim, olhei para ela incrédula.

“Você deve estar ficando doida.”

“Vamos para algum lugar, por favor,” ela pediu. “Conversar sério.”

E de repente eu estava tendo aquela visão pela centésima vez naqueles dias, eu e ela na campina.

Voltei. Ela me encarava confusa.

“Vamos. Não sou nenhuma maníaca. Só quero conversar,” e ela fez uma carinha fofa. Meu coração derreteu.

“Onde quer me levar?” eu perguntei, mas eu já sabia.

Ela segurou minha mão, e eu senti a eletricidade correr entre nossos dedos.

“Vem comigo, apenas.”

Hesitei. Eu não tinha muita certeza do que ela queria. Eu queria muito ir, muito mesmo. Apesar de gostar muito dela, eu não confiava muito nela.

Mas fui.

“OK.”

E então estávamos na campina. Me sentei com cuidado, para não danificar as flores. Ela não teve o mesmo cuidado, se sentando displicentemente, os olhos grudados em mim.

Eu ia falar, quando...

“Você gosta de mim?” ela perguntou.

Eu não sabia como responder. Não tinha certeza do que sentia. Estava confusa. Eu me sentia loucamente atraída por ela, mas não sabia o que aquilo significava, pois nunca tinha me apaixonado.

“Hein?” ela insistiu.

“Não sei,” eu disse meio tímida. “Você me intimida. Talvez eu goste.”

Ela segurou minha mão delicadamente.

“Tá. Se gosta de mim, por que fica fugindo?”

“Eu, fugindo de você? Eu não fujo de ninguém.”

Ela revirou os olhos para mim.

“Foge sim.”

“Para com isso!”

Tomei fôlego e repliquei:

“E você, Noely. O que te atraiu em mim? Quero dizer, se você gosta de mim.”

Ela abriu um largo sorriso, aquele zombeteiro, que eu amava.

“É porque você é fofa. Frágil, sabe. Parece uma bonequinha de porcelana, tão pálida e perfeita! Da vontade de te abraçar e nunca mais soltar, de te proteger para sempre.” Ela suspirou.

“Só?” eu questionei.

“Não, tem mais coisas, além disso. Mas não quero dizer.”

Puxei minha mão da dela.

“Que foi?” ela quis saber. “O que foi que eu disse dessa vez?”

“Não precisa mentir, dizendo que gosta de mim. Eu sei que está debochando de mim, Noely.”

Ela me segurou pelos pulsos com força, e eu gemi de frustração.

“Eu não estou debochando de ti, guria.” Ela disse, levemente irritada. “Pare com isso. Eu te acho tão perfeita.”

Ela começou a chegar mais perto, ainda segurando meus braços. Ao invés de resistir, eu fui me aproximando também.

“Perfeita?” eu estava começando a ficar confusa. “Isso é sério? Você é doida.”

“Não. Doida é você, que não sabe o que causa em mim. Você me enlouquece.”

Me senti um pouco irritada, porque ela estava descrevendo o que ela causava em mim, não o contrário. Tentei me soltar, mas ela me segurou com mais força.

“Me deixe ir embora,” supliquei.

“Não,” ela rebateu. “Preciso fazer algo primeiro.”

Ela envolveu minha cintura com os braços, e foi se aproximando. Mais perto. Mais perto. Dava pra sentir o calor do seu corpo.

E dessa vez não precisei de uma visão pra saber o que ela queria fazer. Tentei me afastar, mas ela me abraçou com mais força, colando seu corpo no meu. Eu podia sentir seu coração batendo irregular.

“Eu quero você, Renatinha...” ela sussurrou.

“Mas eu não quero!” Eu tentei dissuadi-la a aquilo, mas eu queria. Ah, como queria. Queria mais do que tudo no mundo.

“Quer, sim.”

E então ela me beijou.

Senti seus lábios quentes e macios pressionando os meus, exigindo uma resposta. Retribuí, meio desajeitada, mas o suficiente para estimulá-la a continuar. Ela suspirou durante o beijo, e seu hálito delicioso me deixou embriagada.

Ela aprofundou o beijo, fazendo nossas línguas se roçarem, e eu respondi com mais vontade, começando a ficar sem fôlego. Ela terminou o beijo, me dando um selinho, e abriu um sorriso lindo, encarando-me.

“Noely, olha, eu acho que...” comecei, mas de repente tive uma visão de meu pai brigando comigo, porque eu tinha cabulado aula. “Olha, preciso ir, a gente se vê depois,” gaguejei, me levantando, e comecei a correr para casa.

Corri o máximo que pude, sem olhar para trás. Recebi uma bronca logo quando cheguei, mas eu estava tão distraída pelo beijo de Noely que nem prestei atenção enquanto ele dizia:

“Eu sei que você tem dificuldades em se adaptar, Renata. Mas não é desculpa para ficar cabulando aula, filha. Isso é vadiagem. Não faça mais isso, certo?”

“Tudo bem,” sussurrei de cabeça baixa. Na mesma hora Tee entrou em casa, e meu pai disparou para ele:

“E o senhor, onde estava?”

“Estava na casa de um amigo,” disse ele calmamente, me olhando de esguelha.

“Que amigo?”

“Tom,” respondeu meu irmão. “Ele está comigo aqui.”

Tom apareceu de repente, cumprimentou meu pai e os seus olhos se fixaram em mim. Desviei o olhar dele depressa, e ele sorriu, um sorriso idêntico ao dela.

Era impressionante o quanto ele me lembrava Noely. Principalmente naquele momento. Eu consegui armar um sorriso tímido, mas ficou parecendo uma careta de dor.

Mariana apareceu, e nossos pai continuou o discurso, mas eu não estava nem ouvindo. Tudo em que eu pensava era em Noely, aquele campo, a sensação de seus lábios nos meus...

Fui para o quarto que eu dividia com Tee, sentei na cama e enterrei o rosto nas mãos.

Era estranho o que eu estava sentindo, pois eu nunca tinha sentido nada por alguém daquele jeito. Exceto por Tee. Mas era diferente o que eu sentia por ele, o que eu nutria por ele, era amor fraternal. O amor que eu sentia por Noely não era. Era algo profundo e violento, algo que me levaria à insanidade.

Mas não havia mais solução.

Eu poderia beber meu próprio sangue, comer formigas vivas, poderia passar o resto da vida sem ver a luz do sol, mas tudo isso não me tiraria uma convicção fortíssima:



Eu estava loucamente apaixonada por Noely Anneliese Falk.

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