Histórias originais de Puri Daniels

domingo, 20 de outubro de 2013

Butterflies, capítulo três

Bom dia, boa tarde, boa noite ou boa madrugada para você que está lendo!
Hoje acordei feliz, de bem com a vida, fiz trabalho voluntário na igreja do meu pai, então isso me deixa muito animada para postar minhas fanfics chatas, entãããão eu estou aqui, na virada do horário de verão, para postar mais um capítulo de Butterflies!
Devido a minha correria (faculdade e tals), eu estou lentíssima para revisar a história, então tenham paciência comigo, por favor haha
Enjoy! <3



Capítulo 3 – Noely


Fiquei dois dias sem ir à escola. Mas na quinta não suportei. Peguei minha mochila e fui para a escola com meus irmãos.

Ninguém comentou muito da minha briga com ela, mas vi pessoas cochichando ao me ver passar. Ignorei como sempre fazia.

No intervalo eu a vi com suas amigas, duas ou três garotas, Julia entre elas. A lembrança de seu olhar me perseguia. “Vou pegar você.”

Eu não tinha medo dela, mas tinha algo e seu olhar que me fazia estremecer, fazia a adrenalina correr por minhas veias. Nunca alguém tinha feito eu me sentir assim.

Eu tinha a visto falar comigo em uma visão. Mas ela não tinha falado ainda. Eu esperava esse dia com ansiedade. Se ela não falasse, eu falaria.



Ela só foi falar comigo na sexta-feira. Mariana e Tee tinham saído para comer algo no refeitório, e me deixaram sozinha, perto da sala dos professores, perdida em minhas visões. Então ela disse:

“Olá. Seu irmão é gay?”

Me virei para ela, dando um saltinho de susto. Ela me encarava, esperando uma resposta, enquanto mascava um chiclete.

“Não,” respondi. “Por acaso quer pegar ele?”

“De onde você é?” ela rebateu, se aproximando mais um passo de mim. Deu para sentir seu hálito de menta.

Não respondi. Ela inclinou a cabeça para o lado, fazendo alguns cachos saltarem como molas.

“Está esperando teus irmãos te defenderem?” ela desdenhou, mudando o peso do corpo para o outro pé.

Revirei os olhos para ela.

“Eu não preciso, guria. Eu me garanto. Não preciso deles para me proteger.”

“Já está falando a moda gaúcha, Renatinha?”

“Como sabe meu nome?”

Ela sorriu. Era um sorriso irônico, de zombaria, mas foi o suficiente para me confundir.

“Não interessa. Pois é, saiba que colhi algumas informações importantes sobre você. Hmm... primeiro ano. 15 anos. Uma forma mínima.” O sorriso dela se alargou tanto, que parecia que ela estava arreganhando os dentes para mim. “Olhos verdes, cabelos pretos. Um tique nervoso. Já sei. Você é uma nerd.”

“Bela ficha, senhorita stalker.” Meu sorriso espelhou o dela. Eu estava começando a me divertir. “Devia ser investigadora. É bastante inteligente para uma loira.”

Seus lábios se crisparam, e ela ergueu uma sobrancelha perfeita, me fuzilando com os olhos. Uma de suas mãos me agarrou pelo braço. Um choque percorreu meu corpo e eu a fuzilei com o olhar.

Estávamos lá, nos fitando furiosas, quando a professora de inglês apareceu de repente, observando a cena.

“Ei, Noely, calma. Já vão brigar de novo?” ela perguntou sorrindo calmamente. Me apontou e deu uma risadinha tilintante. “Seja gentil com ela, querida. Ela é nova aqui.”

“Não íamos brigar,” respondeu Noely (agora eu sabia como ela se chamava). “Mas ela me ofendeu.”

“Ofendi? Só te chamei de loira.” Eu dei uma risada nervosa.

Ela me perfurou com seus olhos escuros. Seus dedos pararam de tentar esmagar meu braço, depois me soltaram.

“Tchau, Renatinha. A gente se fala.”

Saiu andando, as mãos nos bolsos do jeans. Me virei para a professora. Ela suspirou resignada, mas sorriu.

“Oi, professora. Não lembro seu nome.”

“Tudo bem, querida. Meu nome é Anamaria. Tudo junto, certo?”

“Certo. Não sou muito boa me guardar nomes, mas vou me esforçar. Meu nome é Renata.”

“Eu sei. Bem, agora que sabe meu nome, guarde.” Ela deu uma risadinha.

“OK. Essa Noely é de que turma?”

“Da oitava série. Mas ela é alta pra idade, né? Tem 14 anos, mas é bastante durona.”

“Pois é.”

Ela se despediu de mim e voltou para a sala dos professores.

Tee e Mariana voltaram depois de uns minutos; ele foi direto para o meu lado, segurando minha mão. Contei-lhes imediatamente o que acontecera.

Mariana caiu na gargalhada, mas Tee ficou sério, demorando mais para rir.

“Ela achou que eu era gay?” ele perguntou, incrédulo. Depois deu uma risadinha. “Agora que eu não gostei mesmo dela.”

Mariana varreu a escola com seus olhos, depois os fixou em mim. Perguntou:

“E você, previu isso?”

“Mais ou menos.”

O sinal tocou. Tee suspirou, e nós nos separamos, indo para nossas respectivas salas.



Os próximos dias foram legais. Consegui alguma amizade com algumas meninas. Uma se chamava Olívia Santana. Ela era magrinha, mas tinha seios grandes que chamavam a atenção. Falava pelos cotovelos. Mariana logo simpatizou com ela.

Noely. Agora eu sabia mais sobre ela. Que legal. Mas era estranho olhar para ela. Sentir uma comichão no corpo quando eu a via. Visões do cotidiano dela em casa e na escola.

E os sentimentos. Raiva. Ansiedade. Medo de fazer algo errado. Uma melancolia. Muitas emoções ao mesmo tempo, que eu não conseguia controlar.



Que droga. Eu tinha de ficar obcecada em alguém logo após chegar?

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