Histórias originais de Puri Daniels

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Butterflies, capítulo quatro

Boa madrugada a todos vocês! (ou bom dia, boa tarde, boa noite, não sei)
Estou aqui para postar mais um capítulo de Butterflies! (não me diga)
Hoje eu tive um dia maravilhoso, apresentei um talk show na faculdade e ele foi muito bom, por isso estou tilintando tanto de alegria que decidi postar mais um capítulo!
Embora quase ninguém leia, recebi muitos comentários positivos, então estou determinada a continuar postando.
Enjoy! <3




Capítulo 4 – Thomas Falk


Passaram-se algumas semanas, e eu fui me adaptando à nova cidade, aos novos colegas e a nova casa. Enquanto isso, eu ia descobrindo mais sobre a minha obsessão, a loira sarcástica. Às vezes, nos cruzávamos nos corredores da escola, mas eu ficava na minha.

Foi conhecendo mais gente, fazendo mais amigos. Uma delas foi a Telmah Gloom, uma garota da minha sala. Ela era bem tímida, mas era legal e muito inteligente, nos demos bem logo de cara. Ela era amiga da Noely, o que me chamou a atenção – mas Telmah era civilizada.

Outra pessoa que conheci foi o Frank, que era da oitava série também. Ele era um garoto baixinho, de cabelos loiros cor de palha de milho e dois olhos azuis que piscavam muito. Ele era bem comunicativo, e todos gostavam dele.

Tee fez amigos também. Um dia eu estava em casa, quando tive uma visão de um garoto loiro e alto, que batia na porta de casa e procurava pelo meu irmão. Ele era bem familiar, mas a minha memória ruim não me ajudava a descobrir quem ele era.

Ele só foi aparecer dias depois. Eu estava no meu quarto, ouvindo música, quando Tee passou por mim e perguntou:

“O que vai acontecer daqui a 10 minutos?”

“Hmm... a campainha vai tocar.”

Ele sorriu, aprovadoramente.

“Estou esperando um colega de classe, a gente vai fazer um trabalho, vou tomar um banho. Se ele chegar, mantenha ele na sala, por favor.”

“OK.”

Bingo. Não é que a campainha tocou quando meu irmão estava no chuveiro? Fui atender e o menino estava lá, como eu tinha visto.

“Oi,” ele disse. “O Tiago está aí?”

“Está tomando banho, sente-se e espere que ele já vem.”

Ele estava segurando uma cartolina amarela e uma pasta transparente com um trabalho em que se lia “Revolução Industrial”. Devia ser o trabalho que Tee dissera que faria com ele.

“Você é a Mariana, né?” ele perguntou interessado, olhando pra mim.

“Não, sou Renata, sou mais nova que a Mariana. Além disso, ela tem cabelo claro,” respondi.

“Ah,” ele pareceu desconcertado por um tempo, mas logo se recuperou. Estendeu a mão para mim. “Meu nome é Thomas, mas pode me chamar de Tom.”

“Hmm, Tom. Eu não sou boa em guardar nomes, mas vou me esforçar.” Aceitei o cumprimento dele, tentando parecer interessada. O barulho do chuveiro parou, Tee devia estar saindo do banho. “Meu irmão já vem. Fique a vontade.”

Ele abriu um sorriso largo, e se sentou no sofá. Eu o observei por um tempo, depois voltei para o quarto. Tee esbarrou comigo no corredor enquanto se vestia apressadamente e secava o cabelo preto e espigado com uma toalha.

“Ele tá aí?”

“Está sim. Hey, você é amigo dele?”

“Mais ou menos. Mas deixa eu ir lá, ele deve estar me esperando. Ele não é muito paciente.”

Deixei os dois sozinhos e fui para o quarto. Fiquei ouvindo música, distraída, até que adormeci, eu acho. Sonhei com um campo cheio de flores, que ficava atrás da escola, acima de um penhasco. Noely se aproximava de mim e se sentava ao meu lado, me fitando. Quando ela ia dizer alguma coisa, o sonho-visão se dissipou e eu acordei com uma voz que dizia:

“Renata.”

Era Thati. Com certeza já tinha voltado da escola. Senti o cheiro de morango do seu cabelo e abri os olhos.

“Nossa. Já chegou? Acho que dormi demais.”

“Pois é, cheguei já faz um tempinho. Eu fiquei te chamando faz uns minutos, você estava tendo uma visão?”

“Acho que sim.”

“Caí de skate hoje,” contou-me ela.

“Sério? Tome mais cuidado, Thatiana.”

“Vou sim. Mamãe disse que é a sua vez de lavar a louça.”

“OK.” Fiz um carinho no cabelo dela e me levantei.

O amigo de Tee já tinha ido embora. Eu dei uma olhada na confusão de papéis que eles tinham deixado antes de encarar a louça. Tiago Gonçalves Swan, Thomas Friederich Falk. Com certeza era trabalho por ordem de chamada.

Enquanto lavava a louça, eu fiquei matutando sobre o que tinha lido.

Falk.

Falk.

Eu já tinha visto esse sobrenome antes.

Anamaria o mencionara enquanto estávamos conversando sobre Noely.

E fazia sentido, porque eles eram muito parecidos. O mesmo cabelo cor de mel. Os olhos escuros. O fato de ambos inclinarem a cabeça pro lado pensativamente enquanto analisavam alguém.

A sala desapareceu, e eu me vi de novo naquele campo, com ela. Noely. Tom. Uma semelhança perfeita, como se um fosse a versão do outro em seu sexo oposto.

Tom e Noely eram irmãos.

Voltei, e ouvi um estrondo. Reparei que tinha quebrado a louça ao me distrair com a visão que tivera. Minha mãe me encarava furiosa.

“Me desculpe, mãe.”

Ela começou a gritar.

“Sabe o que eu mais queria? Que você fosse uma garota normal, Renata. Que não quebrasse as coisas, que não ficasse vendo coisas do além, que não fosse louca, UMA ABERRAÇÃO!”

“Mas eu não tenho culpa, m...”

“Saia daqui, agora!”

Obedeci, assustada com o tom de voz dela, e corri o máximo que pude, até que eu não conseguisse mais respirar e estivesse bem longe, perto de um parquinho. Sentei-me em um balanço, sem me balançar.

Eu não era louca. Não naquela época. Minha mãe não me aceitava, desde quando eu tinha oito anos, quando aquilo tinha começado. Ela gritava daquele jeito comigo. Eu só ouvia. Não reagia. Ela dizia que eu ia acabar como a minha avó, mãe do meu pai. Ela morrera louca, pelas visões. O nome dela era Isabel. Ela era vidente, e foi internada num sanatório. Morreu lá, antes de eu nascer. Ela não conheceu os netos. Se suicidou, por puro desgosto de ficar sozinha.

Comecei a chorar. Eu estava sozinha, naquele parque deserto. Já tinha anoitecido. Eu morreria sozinha. Minha cabeça e meu coração doíam, porque ninguém me amava.



Meu pai me levou pra casa, e fez minha mãe pedir desculpas para mim, mas eu já me deprimira o suficiente. Me tranquei no armário do quarto, e passei a noite ali, chorando.



No dia seguinte, eu estava péssima. Estava com olheiras e muita dor de cabeça. Fui para a escola, e tudo me pareceu deprimente.

Estava na cantina, sentada, triste, quando vi Noely correndo em direção a Telmah, com seu jeito meio característico, e a abraçando com força. Senti ciúmes.

Eu queria que ela fosse minha.

Mas ela nunca seria.



Saí andando, com raiva. Peguei minha mochila, pulei o muro da escola e fui embora.

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