Estou aqui para anunciar que, devido a um surto de bondade, decidi postar mais um capítulo de Butterflies!
E quem sabe eu poste mais outro, se o feedback for positivo. Então, sejam bonzinhos comigo u_u
Quero agradecer a Puri, por me incentivar tanto a continuar escrevendo e postando minhas histórias. Saiba que você é uma das minhas escritoras favoritas! ~shed a tear~
Espero que gostem!
Capítulo 2 - Violenta
No primeiro dia de aula, eu me arrumei com cuidado. Tomei banho, pus uma roupa legal. Quando estava penteando o cabelo, vi uma menina loira sorrindo para mim. Derrubei o que eu estava segurando.
Meus irmãos acordaram com o barulho. Se surpreenderam de me ver acordada.
“Já está de pé, Kitty?”
“Estou. Desculpe pela bagunça.”
Tee suspirou e foi para o banheiro escovar os dentes.
“Tudo bem.”
Mamãe nos levou de carro para a escola antes de ir para o trabalho. Eu, Mariana e Tee estudávamos de manhã, e a Thati de tarde.
Vi, no caminho para a escola, várias pessoas na escola olhando para a gente; é claro que era uma visão, mas foi realmente isso que eu vi quando eu cheguei. Todos olhavam para a gente curiosos, como se fôssemos de outro planeta. Gente alienígena.
Nos separamos na primeira aula. Tee foi para a aula de Química. Eu e Mariana fomos para a aula de Inglês.
A professora de Inglês era uma moça baixinha e simpática, de cabelos pretos chanel e carinha de boneca. Eu não conseguia me lembrar do nome dela. Lalala? Algo assim.
Acabou a aula de inglês e logo começou a de matemática. Funções. O professor explicou a matéria e logo passou alguns exercícios. Eu achei mais ou menos fácil, já a minha irmã demorou um pouco para resolver.
Logo depois, foi aula de Português. Tinha uma professora alta e ruiva, com expressão sempre séria. Logo pediu que fizéssemos uma redação sobre política atual.
Finalmente, houve o intervalo. Eu e Mariana estávamos esperando Tee na frente do portão do refeitório, no alto de uma escada.
Foi aí que tudo aconteceu.
Um bando de garotas passou correndo por nós. Eu estava distraída por uma visão rápida – minha mãe fazendo uma obturação em um paciente – e não registrei os rostos delas. Então, um empurrão me fez voltar à realidade.
Grrr. O meu mau gênio explodiu em mim como lava em um vulcão, queimando-me de dentro para fora, coisa que nunca tinha acontecido – queimando minha visão, minha audição, apagando meus sentidos.
Parti para cima de uma delas, sem enxergar de tanta fúria.
A garota não titubeou: começou a me bater também. Ela era muito forte, mas era lenta e desajeitada; quando tentou agarrar meu braço, adivinhei o que ela ia fazer e me desvencilhei dela. Perdi o chão quando ela me deu uma rasteira e caí da escada, mas a puxei junto comigo. Rolamos escada abaixo, e quando chagamos até o fim, voei em cima da garota; ela me derrubou com um golpe de braço, fazendo minha cabeça bater no cimento, e subiu em cima de mim, segurando meus braços com firmeza.
Foi aí que eu vi seu rosto pela primeira vez.
Ela era loura e corpulenta, com longos cabelos em cachos. Seus olhos escuros me fitavam, brilhando furiosos. Seus dentes brilhavam, e um fiozinho de saliva escorria de sua boca.
Ela era a garota de minhas visões.
Toda a minha resistência quebrou. Meus olhos fixaram-se nos dela, e meu coração acelerou. Esqueci o porquê da briga, e ela pareceu paralisar também. Senti algo estranho, como se estivesse quebrada anteriormente e o contato dela estivesse me curando.
Eu estava inteira novamente.
Meus olhos se fecharam, e deslizei para a inconsciência.
Pude sentir algo me tocando. Entreabri os olhos e vi um par idêntico ao meu me fitando. Acordei e vi Tee do meu lado, segurando minha mão. Ansioso. Apreensivo.
“Renata?”
Abri os olhos, Mariana estava do outro lado, me olhando assustada também.
“O que aconteceu?” perguntei balbuciante.
“Você desmaiou.” Tee me disse. “Rolou escada abaixo e bateu a cabeça. Você está melhor?”
“Sim, estou.” Tentei me levantar do sofá em que eu estava deitada. “Você contou à mamãe?”
“Sim, contei. Ela está vindo buscar você.”
“Merda,” exclamei. Mas logo parei, com uma visão que preencheu minha mente. Minha agressora estava parada na frente da diretoria, conversando com uma amiga dela.
“Como ela está?” quis saber ela. Sua voz era alta e aguda.
“Não sei. Deve ter acabado de acordar. Mas que recepção calorosa você deu para a menina, hein?” disse a amiga.
“Bah! Fique calada, Julia. Ela voou em cima de mim... você não deixaria barato também,” ela retorquiu.
Meus olhos piscaram e ganharam foco. Voltei à realidade.
“O que houve Kitty?” perguntou Mariana. “O que você viu?”
“Preciso falar com ela,” eu disse depressa. Me ergui de um salto e corri para a porta, mas meus irmãos me seguraram.
“Não! Você é louca? Fique onde está!”
Parei. Eles estavam certos. Vencida, sentei de novo no sofá.
Mamãe chegou minutos depois. Ficou preocupada, como sempre. Conversou com a diretora. Alegou problemas psicológicos. Aconselhou-me a não brigar mais. Mas não disse uma só palavra àquela garota.
“Sem brigas, entendeu, Renata? Agora vamos para casa.”
“Tudo bem, mãe,” respondi.
Antes de sair, passamos por ela, a garota loira. Ela me fitou com malícia, como na minha visão. Seus olhos escuros diziam: “Vou pegar você.”.
Sacudi a cabeça, que doía, e entrei no carro.
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