Almost Valentine
Capítulo 2 - Keep a secret, please
Kath’s POVNo dia seguinte eu estava animada com a idéia que me ocorrera no dia anterior. Ninguém reparava, mas eu não estava nem aí. Estava inebriante de felicidade.
Quando cheguei ao curso, Tay me esperava. A gente tinha ficado por um tempo, e eu não queria mais nada dela, mas ela teimava em ser minha amiga. Eu ficava junto dela porque ela era mais ou menos legal. E ela era útil, pois era da turma da Telmah.
“Oi,” ela disse.
“Oi”, respondi. Ela sorriu, e enlaçou seu braço no meu. Não tive coragem de me desvencilhar. Não queria ferir seus sentimentos.
“Tem novidades?”
“Hmm, tenho. Podia fazer um favor?”
“Sim, claro, Kathy.”
Estendi um papel para ela. Era um bilhete que eu escrevera para Telmah, e fazia parte do plano.
“Entregue isso para a Telmah Gloom”, eu disse. “Não diretamente, nem diga que fui eu quem mandou. Dê um jeito de ela ler isso.”
“Posso ler?”
“Claro que não, Taylor.” Fiquei muito séria. “Vai me ajudar ou não?”
“Vou.”
Ela fez uma cara triste. Entreguei o bilhete a ela. “Te vejo no intervalo depois.”
“Ok.” Fiquei na ponta dos pés e dei um beijo na bochecha dela. Ela sorriu.
Virei as costas para ela, indo em direção a sala. Tay me chamou:
“Kathy!”
“O que?” eu me voltei novamente.
Ela franziu a testa, preocupada. “O que você quer dela, hein?”
“Muitas coisas,” eu sorri. “Você nem imagina.”
Telmah’s POV
Eu não estava acreditando. Eu tinha ficado com minha irmã! Nem em um milhão de anos eu ia imaginar que isso aconteceria.
Fomos juntas para o curso à tarde, e eu estava pensativa. O que será que havia em mim, para as garotas sentirem que podiam tomar a liberdade de fazer o que queriam comigo? Primeiro Kath, depois Kika. Era perturbador.
Quando ia para minha sala, vi Kath conversando com a menina que ela estava no dia anterior, uma loira que era da minha sala. Kath deu um beijo nela, elas se separaram e a garota foi para a sala, mas Kath continuou parada, olhando para mim. Deu uma piscadinha quando eu passei, sorrindo daquele jeito sacana. Vadia.
A primeira aula correu devagar, e eu ficava na minha, pensativa. Eu achava que gostava de Kath, mas ao mesmo tempo eu a odiava, pelo que ela fizera comigo no passado. Mas depois aconteceu aquele momento inesquecível na sala 15 naquela tarde, eu não sabia mais o que sentia. Raiva, talvez. Raiva porque ela tinha transado comigo e depois não tinha dito nada. Ela tinha parado de me perseguir. Só não tinha parado de me encarar. Sinal que ela ainda queria alguma coisa.
E isso me arrepiava.
Um barulho me assustou. Duas meninas tinham começado a brigar do nada, e agora tinham saído no tapa. Todos da sala olharam, inclusive o professor.
Separaram elas rapidamente, e a sala voltou ao silencio morto que estava antes. Quando voltei a olhar para a minha carteira, havia um papel dobrado lá. Um bilhete.
Curiosa, eu o abri. Estava escrito em uma letra grande, bonita, de forma, meio floreada, uma letra que eu conhecia. A letra da Katherine. Estava escrito:
Telmah,
Depois de tanto tempo, decidi falar com você. Gostaria de trocar uma idéia contigo. É importante. Gostaria de falar comigo no intervalo? Desgrude um pouco da sua irmã e venha. Precisamos conversar. Me encontre na sala de vídeo. Tenho a chave.
Kath.
Arregalei os olhos. Kath queria falar comigo? Como? Por quê? Depois de tanto tempo? O que ela queria?Decidi ir, sem hesitar. Depois do que acontecera, eu não tinha mais medo de encontrá-la; no fundo, eu queria que ela me tocasse de novo, mas não admitia. Eu só tinha vergonha de olhá-la, sabendo que ela tinha me dado tanto prazer.
Não! Eu estava ficando louca. Eu a odiava. Tinha de odiá-la. Iria até ela para
dizer umas verdades.
Olhei para o lado. A amiga de Kath me encarava. Quando percebeu que eu estava olhando, ela sorriu de um jeito meio amargo e piscou para mim.
Foi ela!
Katherine que me aguardasse.
...
Eu podia não ir. Eu podia denunciá-la. Mas eu queria vê-la. Eu queria saber, de uma vez por todas, o que ela queria de mim.Valkyria me abraçou por trás discretamente. Ela estava mais carinhosa depois da nossa rapidinha no banheiro. Fiquei lembrando de tudo que nós tínhamos feito, no banheiro e depois, no quarto dela, de madrugada. Tinha sido maravilhoso.
“Kika... eu... oh, Deus... vou ter de... fazer uma coisa, e... se importa de ficar sozinha?”
Ela me encarou, franzindo a testa, desconfiada.
“Aconteceu alguma coisa?”
“Não. Só um... problema de... trabalho. É. Com uma garota da minha turma.” Olhei para o lado e vi Kath passar, em direção à sala de vídeo, exibindo uma chave para mim. Kika estava absorta em me olhar e não percebeu. “Tchau.” Abracei minha irmã e saí em direção à sala.
Vislumbrei uma garota baixinha de cabelos laranja entrar na sala enquanto eu corria.
Entrei. A sala estava escura. Tive sensação de deja-vu.
“Oi, Katherine,” eu disse.
“Oi, Telminha.” Ela estava sentada em cima de uma mesa, ligando o reprodutor de vídeo. “Que bom que veio.” Abriu aquele sorriso perverso e encantador.
“O que você quer?” eu decidi ser direta. “Por que usou sua amiga para falar
comigo? O que você tem de tão importante para dizer?”
“Sente-se.”
Obedeci. Ela se levantou e olhou para mim. Mesmo no escuro, seus olhos brilhavam. De excitação e de raiva.
“Descobri coisas sobre você.”
“Sério? O que?”
“Bem, primeiro vamos assistir um filminho. Um vídeo, na verdade.”
Ela apertou o play. E o que eu vi me chocou.
Kath’s POV
Telmah tinha decidido vir, afinal. Pedia a ela que sentasse. Ela me olhou interrogativamente. E eu exibi o vídeo.
Telmah começou a empalidecer. Seus olhos percorriam a tela, e voltavam para mim. Ela ficou muito branca, e começou a tremer convulsivamente.
“Mas o que é isso?” ela gritou.
“Andei observando vocês duas. Confesso que estou chocada, Telminha. Não esperava isso vindo de você.”
“Katherine...”
Resolvi falar tudo que eu sentia.
“Tudo bem você gostar da coisa, de uma forma meio escondida, e não querer sair do armário. Mas fazer com a sua irmã, Telmah? Aquela vadia? E eu, não significo nada?”
“Desliga isso!” ela berrou.
Obedeci. Ela se levantou. Aproximou-se de onde eu estava. Ela não tremia mais, mas ainda estava lívida.
“O que você vai fazer com isso?” ela perguntou, calma e fria.
“Não sei. Talvez eu mostre para todo mundo e acabe com a reputação de vocês duas. Mas não quero fazer isso. Sabe por quê?”
“Diga.” Ela se aproximou mais.
“Porque eu amo você, Telmah. Não quero fazer nenhum mal. Só quero que você seja minha.” Olhei nos olhos dela. Estavam embaçados de lágrimas.
“Não faça isso, por favor,” ela murmurou. “Sei que você quer algo em troca, e eu farei. O que você quer?”
“Quero que você se encontre comigo hoje, depois do curso. Vou te levar em um lugar legal. Daí conversamos.”
“Tudo bem.”
“Obrigada. Nos encontramos, então.”
“OK.”
Me aproximei dela e beijei demoradamente seu rosto, descendo lentamente pelo seu pescoço. Ela estremeceu.
“Você é muito linda, sabia?” murmurei rouca.
“Até mais, Katherine.” Ela se recompôs e saiu. Suspirei.
Ela seria minha.
0 comentários:
Postar um comentário